Guardian // Geopolítica

EUA prometem as "sanções mais duras da história" contra o Irã – quem realmente sai ganhando?

05/09/2026 Militar

Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, anunciou em agosto de 2026 que Washington vai impor "as sanções mais duras da história" ao Irã. A declaração veio logo após dois dias de encontros com uma delegação chinesa em Paris, no dia 16 de março de 2026, e foi repetida em diversas fontes – gcaptain.com, Business Standard, The Epoch Times e Straits Times – que citaram a mesma frase de Bessent. Os detalhes das medidas ainda não foram divulgados, mas a própria menção de que serão "as mais duras" já indica um plano de bloqueio financeiro e comercial sem precedentes.

A jogada serve a múltiplos propósitos. Primeiro, reforça a pressão sobre o programa nuclear iraniano, que tem sido o ponto de discórdia entre Washington e Teerã há décadas. Mesmo que a eficácia de sanções extremas seja incerta – a história mostra que regimes isolados podem encontrar rotas alternativas ou recorrer a mercados paralelos – a mensagem de força pode ser útil para o lobby interno dos EUA, que costuma usar a retórica de “sanções duras” para ganhar apoio político.

Em segundo lugar, a presença da delegação chinesa no mesmo período sugere que o anúncio também tem um componente de sinalização para Pequim. A China tem mantido laços econômicos e estratégicos com o Irã, e ao lançar um ataque sancionador tão agressivo, os EUA podem estar tentando limitar a influência chinesa no Oriente Médio, forçando Pequim a escolher entre apoiar Teerã ou acomodar as exigências de Washington. Essa interpretação tem probabilidade alta, dado o contexto de rivalidade geopolítica entre as duas superpotências.

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Para os aliados ocidentais – Israel, Arábia Saudita e outros países do Golfo – a medida pode ser vista como um reforço de compromisso americano com a segurança regional. Contudo, a eficácia prática das sanções dependerá da capacidade dos EUA de coordenar com parceiros europeus e de impedir que o Irã recorra a rotas de comércio clandestinas, algo que ainda não foi demonstrado.

Do lado iraniano, a reação provável será de mobilização interna, usando a retórica de resistência contra agressões externas para consolidar apoio interno. Historicamente, sanções severas tendem a gerar um efeito de “efeito de rally” em regimes autoritários, aumentando a popularidade do governo frente a um inimigo externo. Assim, embora o Irã enfrente um aperto econômico, a probabilidade de que o regime use a crise para reforçar seu discurso nacionalista é alta.

Em suma, a promessa de sanções “mais duras da história” parece ser menos sobre o impacto econômico direto sobre o Irã e mais sobre a dinâmica de poder entre EUA, China e os atores regionais. O que se vê claramente é um jogo de pressão onde Washington tenta reafirmar sua liderança, Pequim sente o peso de um possível isolamento e o Irã pode transformar a sanção em ferramenta de propaganda interna. Até que os detalhes sejam revelados, a eficácia real das medidas permanece incerta, mas o objetivo político das partes envolvidas é, ao menos, bastante evidente.

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