Guardian // Geopolítica

Intervenção dos EUA na América Latina: o jogo sujo por trás das manchetes de 2026

22/09/2026 Política

A narrativa oficial dos Washingtonistas tem sido de ‘aliados’ e ‘parcerias’, mas o que se desenha nos bastidores é um plano de controle que vai muito além de discursos diplomáticos. A invasão militar da Venezuela, confirmada pela Agência Brasil, com o rapto do presidente Nicolás Maduro, já demonstra que o objetivo norte‑americano não é apenas garantir acesso a reservas de petróleo, mas eliminar um ponto de resistência ideológica que poderia inspirar movimentos de esquerda em toda a região.

A ameaça não fica restrita à Venezuela. Um relatório da Publica, datado de 8 de janeiro de 2026, aponta que as eleições de 2026 em toda a América Latina estão na mira de intervenções de Donald Trump. A intenção declarada – “favorecer conservadores aliados” – indica um esforço coordenado para moldar o mapa político da região, garantindo governos que não questionem a presença militar ou econômica dos EUA.

O discurso de Marco Rubio, que se deu em depoimento ao Senado dos EUA, reforça a hipocrisia do projeto. Enquanto proclama que a América Latina está ‘cheia de aliados dos EUA’, ele exclui Brasil, Nicarágua, Cuba, Venezuela e Colômbia. Essa lista de exceções não é aleatória: são precisamente os países que mantêm políticas externas mais independentes ou que têm governos de esquerda que desafiam a agenda de Washington. O fato de o próprio Brasil ser citado como exceção – em reportagens do Estadão e do Times Brasil – sugere que a administração americana já está traçando estratégias para contornar a resistência brasileira, possivelmente apoiando setores da extrema‑direita que compartilham da visão de um bloco latino‑americano submisso.

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A análise de um historiador publicada no Brasil de Fato (31 de março de 2026) coloca a atual campanha de intervenção dos EUA em paralelo com o golpe de 1964. A comparação não é mera retórica: ambos os momentos envolveram apoio direto ou indireto de forças conservadoras locais, uso de justificativas de segurança nacional e a legitimação de intervenções militares sob o pretexto de combater ‘ameaças’ internas.

Quem ganha? O Estado‑Unido, que consolida sua presença militar e econômica, garantindo acesso a recursos estratégicos e um corredor político que impede a ascensão de governos anti‑imperialistas. A extrema‑direita brasileira, que vê no apoio americano um impulso para retomar o poder, também se beneficia. Quem perde? A Venezuela, que já viu seu presidente sequestrado, e, potencialmente, o Brasil, caso a pressão externa consiga minar a soberania nacional e forçar um alinhamento forçado. A própria região latino‑americana como um todo paga o preço da perda de autonomia e da perpetuação de conflitos internos alimentados por potências externas.

O interesse real por trás das declarações públicas – “aliados”, “parceria”, “democracia” – parece ser a manutenção de um império hegemônico que controla recursos, rotas comerciais e narrativas políticas. Quando os fatos ainda são incertos, como a extensão exata da intervenção nas eleições de 2026, a probabilidade de que os EUA estejam preparando um conjunto de ações coordenadas, envolvendo apoio a grupos conservadores e possíveis demonstrações de força militar, é alta. O que resta claro é que a América Latina continua à mercê de um jogo de poder onde a soberania é a primeira vítima.

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